30/11/2015

rita não virá

rita não virá à meia-noite
como disse que viria
tire o vestido, descalce as botas
é outro dia e ela não chega
com os lábios flácidos
e seios plácidos
e tenros braços 
tangendo fugas
(meias-verdades descansadas no decote)

rita não vem e o aroma da lavanda
se mistura ao suor
não há cheiro pior que o do agora 
que vira memória 
estendida dos pés ao mundo lá fora.
esta espera põe qualquer um a pensar
que nem daqui a algum tempo
haverá modo de se enxergar as coisas
com mais clareza
e pendor

rita não veio e o que resta
é abraçar a sina de que
esta noite é o resto da minha vida
tiro o vestido, descalço as botas
de nada serve o batom vermelho
e derramar sorrisos, desejar ardores
ou os bares lá fora
pois rita não virá 
e tudo o que há são tamancos
esmagando bitucas de cigarro
globos brilhantes girando vazios
contra o negror do céu
e o romper da madrugada
que outrora tenro abraço
neste agora
me revolve com vazios

alívio é estar aqui
alívio é rita não vir. 

29/11/2015

  


todos os dias o mesmo
viver para ver
o fadado a ser visto
da mesma forma
sempre.

ando viciado nos aléns que os agoras me oferecem.


18/11/2015

matérias-mistas


[te vejo entre minhas pernas

quieto e compassivo
indiferente aos relógios sincronizados
que rompem ruidosos
no despontar d'outro dia.
lábios de rosada inquietude
garganta retesada
saliva transborda viscosa
por trás de um sorriso:
matérias-mistas.]