[hoje não quero voltar. fingirei que me perco entre avenidas sem fim e soturnos casarões. talvez eu pegue o ônibus errado, finja não ser proposital, feche os olhos, me dissolva, vá até o fim da linha como se não houvesse retorno. quem sabe assim eu persista até que seja manhã e o mundo esteja desnudo sem pernas sem braços sem mãos. hoje eu vou pelo lado de lá, onde ninguém sabe meu nome, onde ninguém irá me buscar. mas pouco dura a ira que me inça, o passo oscila e sei: hoje preciso voltar]
15/02/2016
10/02/2016
é necessário um instante de clareza
um momento de lucidez
é necessário para que tudo
se revele através deste pensar te ter
crer nesse amor que é desvario
que são lábios e dentes entrechocados
bocas abertas riscando a carne
dedos que buscam as reentrâncias
pernas trançadas, línguas embebidas
em gozo saliva suor
é necessário um instante de clareza
que seja
para que longe o corpo saiba ser sozinho
dançar na multidão e somente a si procurar;
para que sob o desejo se mostre coragem
e sob a coragem, ouvir o silêncio
e a ele acatar: liberdade.
01/02/2016
tudo passa, mas nada há de findar
tudo passa, mas nada há de findar
tudo persiste até que não se possa
fronteira estendida até onde não há.
tudo ameaça romper
mas não cede
tudo ameaça ceder
mas não rompe.
(a espera pelo que jamais vem nunca há de cessar)
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