é preciso do tempo
respirar entre silêncios
ter o mundo e dele saber-se parte:
ser seiva, ser húmus.
é preciso emergir
abraçar as ausências
ter manhã livre
para contar as nuvens
desfazer os nós
violar tratados
e perder a hora de chegada.
é preciso construir a ponte para o outro lado
mas destruí-la de imediato
após a travessia.
seguir.
é preciso estar só
e saber-se sozinho
um minuto que seja
num dia qualquer
sem tropeçar
nos próprios pés
adejando e caindo
levitando
sobre paragens vazias
como se fosse o abismo
solução.