28/08/2011

De quando em quando (de vez em vez)


...Medo eu tenho até de que as palavras se esgotem, senão eu seria resumido ao quê? Folha branca, linhas retas, uma felicidade miúda presa entre os dentes? Sem forma, sem cor. Mas você me diria calmamente que não é de todo mau: palavras acabam, cria outras. E a noite que me abarca lá fora, além de tudo, vai estar sempre aguardando (com mais catástrofes do que amantes, entretanto). E eu até entendo que já não me esperem mais: nem na lista de presença eu sou o mais constante. Alimentei ausências e domestiquei a dor pra levantar dos destroços com a tranquila consciência de que voltaria para eles: Feito de pedras, feito de galhos. E eu até acho que não sou grande parte do problema (contenha o sorriso, abaixe o cigarro). Se tudo é consequência eu também sou. Com uma dose de inconsequência, sim, que me faz reviver momentos vis e pertencer a eles. Eu tenho que voltar é para o mundo: Abrir os olhos – cansados, pesados, embaçados – e pertencer ao mundo em todas essas suas ruas, avenidas, bares e vielas, em todas as suas dores que não deixam de ser minhas. O que há de se fazer? Eu, nos meus pequenos momentos de passos largos e reflexo na vidraçaria, com aroma de manhã lavada, sou que nem Aracne. Enfrento minha tragédia, petulante, tecendo versos no peito: mas no fim sou castigado e sei disso. De quando em quando, eu tenho a ousadia: De enfrentar cada minuto, cada ano e cada dia. Cada segundo e mês, de vez em vez. 

2 comentários:

  1. Não sei o que comentar nesse. E dizer que adorei em todos os comentários não dá né, aff. k Não foi diferente com esse, mas olha, vale só ressaltar que o título devia ser Aracne?

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  2. Já te disse que você é muito hermético? E eu sei que algumas pessoas usam essa palavra de forma negativa, mas eu não (Clarice é tida como hermética). Sei lá, é sempre um certo mistério, a gente lê tudo e pensa "sobre o que ele tá falando afinal?" e cria suposições e nunca chega à conclusão nenhuma. Eu gosto!

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