extirpa as fragilidades sensoriais
deflorando minh'alma como se fosse tua.
deflorando minh'alma como se fosse tua.
o vestido é vermelho, cheira a cigarro
entre os seios descansa o orgulho
reverberante como ametista.
por dentro, eu sei que você é
vermelha e ferina.
reverberante como ametista.
por dentro, eu sei que você é
vermelha e ferina.
na ponta da língua
mordida e tostada.
mordida e tostada.
não me culpe
se devido aos teus excessos
se devido aos teus excessos
até esqueci-me de te perguntar o nome.
parecia ser só casualidade, vê?
tamanha a tua imensidão de cores
deixei-me livre afundar.
mas agora, adorável anônima
efervescente e distante reminiscência
vejo a importância de um nome:
efervescente e distante reminiscência
vejo a importância de um nome:
ele revela
desmonta.
poderia começar com R, erre, er-re
desmonta.
poderia começar com R, erre, er-re
consoantezinha agreste
como a tua voz.
como a tua voz.
teu sotaque, tua ordem.
seria então
seria então
imperativa! como toureira espanhola
sempre a sacudir a rubra cortina
rasgada
domando meus frios embaraços
num canto de desordeiras sinfonias
rasgada
domando meus frios embaraços
num canto de desordeiras sinfonias
instigando gritos com maestria
acordando as ferocidades da vida
para que elas
tão doces, tão brutas
te atravessassem a espinha.
tão doces, tão brutas
te atravessassem a espinha.
garoto, eu gostaria de te fazer um pedido:
depois de partir
não deixe seus passos na escada.
não deixe seus passos na escada.
na noite eles sucumbem
ao pé do meu ouvido
como tuas pequenas
graciosas risadas.
pedir demais, eu sei, você diria
que gracejo!
que extravagância seria
morrer assim tão facilmente.
as roupas estão na gaveta
saturadas por teu aroma agridoce
fios de cabelo loiro na banheira
ao pé do meu ouvido
como tuas pequenas
graciosas risadas.
pedir demais, eu sei, você diria
que gracejo!
que extravagância seria
morrer assim tão facilmente.
as roupas estão na gaveta
saturadas por teu aroma agridoce
fios de cabelo loiro na banheira
abraços quentes nos corredores.
o açúcar derramado
sobre a mesa
permanece cruelmente intocado.
sobre a mesa
permanece cruelmente intocado.
peço então com humildade
de um jeito torto
que sempre há de comover
teu coração selvagem:
meu amante, meu carrasco
não dance entre as cortinas ou
se insinue nos meus sonhos
fugazes
pois eles revelam muito de ti.
de um jeito torto
que sempre há de comover
teu coração selvagem:
meu amante, meu carrasco
não dance entre as cortinas ou
se insinue nos meus sonhos
fugazes
pois eles revelam muito de ti.
não trauteie
nos corredores
pois ora ou outra
hei de te ouvir.
nos corredores
pois ora ou outra
hei de te ouvir.
feche a porta com doçura
antes de partir
e virar sereno
pois acordado ainda vejo
a doce penumbra
percorrendo os arabescos.
demônios e fantasmas
dançam de mãos dadas
na sala de estar
antes de partir
e virar sereno
pois acordado ainda vejo
a doce penumbra
percorrendo os arabescos.
demônios e fantasmas
dançam de mãos dadas
na sala de estar
nunca mais os deixe entrar
você é o necessário para me
consumir
você é o necessário para me
consumir
entre todos os risos-e-cantos
sombras-e-planos
(será que lembraria de cada um deles?)
sombras-e-planos
(será que lembraria de cada um deles?)
passo leve, eu peço
sei que tão contrário ao teu trotar
de dançarino
pois as escadas de madeira oca
na noite trovejam e despertam
meus pavores juvenis.
ainda um pedido
tão derradeiro quanto nós dois:
deite ao meu lado com a leveza
de uma pluma
beije-me a fronte com doçura
de mariposa
vá embora antes que meus olhos se abram
e, por favor, amacie o travesseiro.
sei que tão contrário ao teu trotar
de dançarino
pois as escadas de madeira oca
na noite trovejam e despertam
meus pavores juvenis.
ainda um pedido
tão derradeiro quanto nós dois:
deite ao meu lado com a leveza
de uma pluma
beije-me a fronte com doçura
de mariposa
vá embora antes que meus olhos se abram
e, por favor, amacie o travesseiro.

