toques fugidios
beijos lascivos
beijos lascivos
um olhar verde enviesado
no passo tonto
no passo lasso
dá-me de novo teu desejo
carne conjunta
rubros joelhos
dá-me de novo teus castigos
cingir ardente
fustigo vivo
dá-me as tuas maldições
os impropérios
imperfeições
deixe-me ser
a fresta aberta
na tua macicez
corpo insidioso
interposto
ao teu e ao dele.
ao teu e ao dele.
deixe-me
ser a musa
rosto evanescente
rosto evanescente
de teus rascunhos sem face.
te mostrarei o que há além
da ternura e dissidência
das canduras da inocência
o que há além
de nós dois.
dá-me de novo tua paixão
para que eu possa rejeitá-la
escarnecê-la em derrocada
escarnecê-la em derrocada
para a sombra do desejo
lá
através da fronteira
de nossa carne
através da fronteira
de nossa carne
hei de pender no vão
entre corpos que se repelem
e alvas formas
sem fricção.
devolvo-te meus sorrisos
meus olhares
escudo-te
em meus silêncios.
em meus silêncios.
eu estou
para muito além
do que não se vê
para muito além
do que não se vê
um simulacro
atado na própria sina
de não se ser.
atado na própria sina
de não se ser.