21/12/2014

Descoordenadas


estrada para a degradação
entre dois copos de vinho 
e três cigarros sobre a mesa:
os meus olhos vacilaram sobre os teus
desviaram atinados
cheios de torpor 
e um riso me rasgou o peito
como rasgaria a noite com suas asas
agourenta suindara.
sabem o que esse gargalhar clama
mas jamais o que oculta
riso que, parido alegre 
cimenta o choro.
e em cada trago consumindo as horas
em cada gole desejando o fim
e mesmo o que me arrasta agora
só me guia aos confins do que 
sobrou de mim.
ao fim do dia já não sei do tempo
relógios e calendários não me falam nada 
que eu queira saber
ou já não saiba.
sempre há de me parecer cedo demais
tarde talvez para retornar ao início.
mesmo quando o corpo padecer
tremular
arquejante
e a náusea me fizer arfar
engasgar
como cão sedento 
chegarei 
enquanto meus passos me guiarem
sem que eu saiba. 

(na manhã já não sei quem fui
busco memórias
pedaços de mim.

na estrada que se abre
quem sabe eu me perca
para jamais retornar
ao que sou.)