29/12/2015

o sagrado da carne


o sagrado da carne
é coisa que não se pondera:
há de se seguir
sem desdizer, sem desatar.  

estar e não fugir
seguir calado o instinto
assim persistir
urutau planando baixo.
sob as asas, delírios insensatos 
para que não te desarmem
para que não cresçam vastos.

desta vez
sei do tempo e da coragem
e nada há que me extravie
do caminho a ser seguido
traçado sobre tua carne.


10/12/2015

fragmento noturno


esta cidade
é boca rasgada
que arde 
e que jorra
que sangra 
e perdura
que grita 
e que chora.

sirenes ressoam
persisto e finjo:
não sei onde estou
não sei o que vejo
ou para onde vou.
é mais uma curva
um modo de ser:
tragar estes dias
sem eles viver.