E corre entre as veias a pressa de ser vomitado em palavras quentes. De ser, puramente, sem correntes e fluir naturalmente com aquilo que se questiona – ser a adequação reconfortante que exigem e entranhar a cada um tendo a pura ousadia de explodir. Explodir? Eu só sei eclodir constantemente: sempre ininterrupto. E eclodir deixando que cada pedaço de mim role por dentro, por cada outro pedaço de mim. A necessidade de transbordar em voz alta quando se abrem os lábios e transbordar em pressa, tal pressa desumana que se necessita e me necessita ao mesmo tempo: Eu tenho é que ser dissecado e cuspido para ser visto. Eu tenho que o ser plenamente. Mas e essa necessidade fugaz que não me pertence de repente se torna minha também: como se tudo entre todas as coisas que me afligem recorressem de influxo de um para cada um. E eu não me sei. Eu me desconheço quando falo das minhas dores. Eu me externo e me torno outro, como se tudo que viesse de dentro pra fora criasse vida própria. Eu sou uma antítese e me torno tudo o que exigem. O reflexo errôneo do espelho que se torna dois pedaços: O exigido e o exigente. Deve ser então porque não encontro meu extremo que me afundo em erros trôpegos: Porque os que exigem só exigem porque não são vitimas das exigências e os exigidos só o são porque conseguem se exigir. E eu que não me exijo, mas exijo. O egoísmo inerente de quem pede remédio às próprias feridas, mas só sabe causar ardência a ferida alheia. E tudo que é engolido e existe lá dentro eclodido quando pedem pra que saia em regurgito. Toda essa minha agonia que desconhecem está entalada na garganta. Uma espinha de peixe que atravessa a traquéia e a cada golfada de ar se move e me perfura. A cada uma dessas “palavras bonitas, meu amor, você não as conhece?” parece se amolar. E vai ficar aí, a espinha. Vai agoniar e eu vou morrer aos poucos a cada um que me deixa – que se torna meu pedaço e se cansa. Autotomia agressiva, de repente. Autotomia do qual minha pele nunca se regenera, mas nunca me revela a nudez completa porque nos momentos em que me permito ser o que exigem, a liberdade me espeta. E eu acuado. Eu quebrado. Eu que permaneço com uma espinha na garganta. Desconheço-me e deixo. Minha própria verdade me incomoda de repente. E continuo ininterrupto. Morrendo a cada parte com um sorriso displicente: porque cada um que chega também vai, isso eu sei. Porque cada um que chega me exige – ora ou outra, vez em vez. E cada um que chega também vai, isso eu sei.
"E eu não me sei."
ResponderExcluirMuito incrível, tua escrita tá ficando cada vez com mais alma! Sei lá, como se tu tivesse indo cada vez mais fundo, sabe? E foi muito engraçado ler esse texto porque subitamente me veio à cabeça a imagem de um futuro distante, você como escritor publicado e tal. Acho muito que a escrita vai ser realmente o caminho da tua vida, sabia? Já passou a época de escritor de final de semana, em fics e blablabla, você evoluiu profundamente, de forma que dá realmente pra imaginar esse futuro (e você tendo 15 anos, o que é absurdo!). Por favor, não deixe isso se perder, seria um desperdício imenso.
Aliás, vou criar um momento meio Cisne negro aqui e dizer que a única coisa que pode ficar no teu caminho é você mesmo. Porque o resto do mundo já percebeu quão talentoso você é, Matheus, só falta você perceber isso.
ResponderExcluirMá - Tbm gosto de me imaginar como um desses escritores publicados futuramente e tudo o mais. Mas sabe como é essas coisas, né? E quanto a perder isso, acho que não. Já é parte de mim, acho que não consigo mais viver sem, k. E wow, obrigado! Você também é muito talentosa e sabe disso. \o/
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