09/09/2011

Espinha


E corre entre as veias a pressa de ser vomitado em palavras quentes. De ser, puramente, sem correntes e fluir naturalmente com aquilo que se questiona – ser a adequação reconfortante que exigem e entranhar a cada um tendo a pura ousadia de explodir. Explodir? Eu só sei eclodir constantemente: sempre ininterrupto. E eclodir deixando que cada pedaço de mim role por dentro, por cada outro pedaço de mim. A necessidade de transbordar em voz alta quando se abrem os lábios e transbordar em pressa, tal pressa desumana que se necessita e me necessita ao mesmo tempo: Eu tenho é que ser dissecado e cuspido para ser visto. Eu tenho que o ser plenamente. Mas e essa necessidade fugaz que não me pertence de repente se torna minha também: como se tudo entre todas as coisas que me afligem recorressem de influxo de um para cada um. E eu não me sei. Eu me desconheço quando falo das minhas dores. Eu me externo e me torno outro, como se tudo que viesse de dentro pra fora criasse vida própria. Eu sou uma antítese e me torno tudo o que exigem. O reflexo errôneo do espelho que se torna dois pedaços: O exigido e o exigente. Deve ser então porque não encontro meu extremo que me afundo em erros trôpegos: Porque os que exigem só exigem porque não são vitimas das exigências e os exigidos só o são porque conseguem se exigir. E eu que não me exijo, mas exijo. O egoísmo inerente de quem pede remédio às próprias feridas, mas só sabe causar ardência a ferida alheia. E tudo que é engolido e existe lá dentro eclodido quando pedem pra que saia em regurgito. Toda essa minha agonia que desconhecem está entalada na garganta. Uma espinha de peixe que atravessa a traquéia e a cada golfada de ar se move e me perfura. A cada uma dessas “palavras bonitas, meu amor, você não as conhece?” parece se amolar. E vai ficar aí, a espinha. Vai agoniar e eu vou morrer aos poucos a cada um que me deixa – que se torna meu pedaço e se cansa. Autotomia agressiva, de repente. Autotomia do qual minha pele nunca se regenera, mas nunca me revela a nudez completa porque nos momentos em que me permito ser o que exigem, a liberdade me espeta. E eu acuado. Eu quebrado. Eu que permaneço com uma espinha na garganta. Desconheço-me e deixo. Minha própria verdade me incomoda de repente. E continuo ininterrupto. Morrendo a cada parte com um sorriso displicente: porque cada um que chega também vai, isso eu sei. Porque cada um que chega me exige – ora ou outra, vez em vez. E cada um que chega também vai, isso eu sei.
                 

3 comentários:

  1. "E eu não me sei."
    Muito incrível, tua escrita tá ficando cada vez com mais alma! Sei lá, como se tu tivesse indo cada vez mais fundo, sabe? E foi muito engraçado ler esse texto porque subitamente me veio à cabeça a imagem de um futuro distante, você como escritor publicado e tal. Acho muito que a escrita vai ser realmente o caminho da tua vida, sabia? Já passou a época de escritor de final de semana, em fics e blablabla, você evoluiu profundamente, de forma que dá realmente pra imaginar esse futuro (e você tendo 15 anos, o que é absurdo!). Por favor, não deixe isso se perder, seria um desperdício imenso.

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  2. Aliás, vou criar um momento meio Cisne negro aqui e dizer que a única coisa que pode ficar no teu caminho é você mesmo. Porque o resto do mundo já percebeu quão talentoso você é, Matheus, só falta você perceber isso.

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  3. Má - Tbm gosto de me imaginar como um desses escritores publicados futuramente e tudo o mais. Mas sabe como é essas coisas, né? E quanto a perder isso, acho que não. Já é parte de mim, acho que não consigo mais viver sem, k. E wow, obrigado! Você também é muito talentosa e sabe disso. \o/

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