28/01/2012

Por trás dos molares (ou Sussurros)

é assim, senhor, mas ninguém há de compreender
por trás do silêncio; dos olhos pequenos
brilhantes, infantes, sorridentes pupilas
só existem incansáveis gritos que me cortam


[agudos
como lâminas atravessando a seda da mais delicada
é assim, senhor, mas quem é que entende?
e, me diga, por que é que entenderiam?


cada um desses gritos clamando por fuga
me matam pouco a pouco, dia após dia
da funérea mortalha que cobre minh'alma
já não adianta clamar por justiça


a voz não chega à minha própria superfície
percorrendo a profundeza de dócil escuridão
padece sem força na garganta
espreita por trás dos molares


quem há de ouvir a súplica do silêncio contido e enxuto
senão a branca imensidão do papel surrado?
quem há de me olhar tempo o bastante para enxergar-me
pouco a pouco, gradual e todo errado? 

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