[eu não sei o que há sobre o verão que me deixa melancólico. são os tons, são as cores; é o mundo, é o movimento; é fevereiro logo aí despontando mais uma vez; são os sussurros que ouço entre um e outro transeunte; o murmúrio que diz: lá se vão os mesmos dias, novamente a mesma hora. o universo se abre como uma flor, rasteja da escuridão, exibe-se mais uma vez. aqui está a grande avenida, as árvores, a moça com lábios finos; aqui estou eu. lá está você, lá estão as coisas que temo. mais uma vez, o seu veredito: elas não são reais. a luz do dia dissolve o contorno das sombras. os dias são mais longos, a existência mais incerta - é o que me angustia sobre o verão.]