Mesmo quando grito: silêncio. Por trás de tudo, mera distração de mim. Eu quero estar sem fôlego no mais violento dos mares, atracado entre ondas selvagens, levitando sob a correnteza. Eu quero os pés calejados de fuga, pele rasgada por espinhos, garganta entalada com areia. Quero efervescência, ausência de cadência. Na noite mais solitária: incandescência. O perder-se mais uma vez; letargia de dentro pra fora. Achar-se e resgatar-se, apesar de. Esquecer-se do nome, queimar o papiro, rir-se, ir-se... Diz-se: Foi-se! Mesmo quando os pés atropelarem os passos e os passos atropelarem os pés: continuar. Foi-se! O casulo enegrecido jogado na areia. O corpo ausente, perdido. Por trás da pressa, mera distração de mim. Afaste os braços - eu disse - não me segure, deixe-me ir. Na roda viva corro sobre o abismo. Se parar: cair.
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