29/08/2014

Me deixo demolir


Sem perdão, sem saída
Há sob a cortina dos dias
Um zunido de espera vã
Sem mais lábios sobre os meus
Sem mais corpo
Sobre o teu
As horas escoam não através
Mas entornando as margens da carne
Erodindo os limites das fronteiras
Entre o que se vê e o que se há.
Renuncio: 
O pulso da palavra 
Já não renasce em mim.
Deixo que me usurpem, agora
Desse leito impermeável
Que me extirpem do habitat
Dos silêncios e escuros.
Há sobre mim o peso dos anos
As ondas do tempo me corroem
Enfim
Torno-me inteiriço e consinto
Me despeço dos instantes
Que hão de vir

E me deixo demolir.


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