O prazer de degradar-se
Nos leitos de ferro e nas ruas rançosas:
Nossos retornos inesperados.
Entre bocas molhadas e carnes abertas
Pecados supuram sangrando.
De meus lábios, banhados em sacrilégios
Jamais ouvirá que te amo
Pois amor, meu bem, há muito não nos serve.
O que nos serve são
Cidades arruinadas
Salas defasadas
Quartos empoeirados;
Palavras sujas
Sussurradas nos ouvidos
Dentes na carne fincados.
O que me serve
É o êxtase da dor
E não o toque da paixão
Que paixão, meu bem, é para quem
Desconhece o prazer de degradar-se.