a areia revolve os pés
sinuoso me visto de juncos
porque do rio emergi como das sombras
peixe preso agonizante no anzol
arremessado à margem errante
e movediça.
meu coração agora
é todo doença de saudades
o corpo padece nostálgico
sobre as calçadas pedregosas
da terra que não é minha.
depois de morto, desejo
que o mar me devolva aos entes
à nascente que jorra de alturas tantas
onde serei lodo entre rochas.
forasteiramente, me entrego às resistências
finco as unhas, apreendo parte minha
que de lá ainda pulsa
sem deixar escapar.
se as raízes forem arrancadas
de nossas turvas águas negras
e eu por inteiro me entregar
aos caprichos desse mar
algum dia virá me resgatar?
são tantas as ternuras que me desgastam
há de se saber sobreviver sem elas
tentar-me ser além do que tenho -
jacinta de asas cortadas.
jacinta de asas cortadas.
traço retornos no papel em branco
algum dia as águas se abrirão de novo?
pois jamais consigo voltar
a passagem se fecha ao toque
tal qual mimosa pudica
rumos dão voltas sobre si mesmos
trazendo-me ao ponto de partida.
tal qual mimosa pudica
rumos dão voltas sobre si mesmos
trazendo-me ao ponto de partida.
terra natal, quando abandonada, nos esconjura.