[a noite se desfaz
sob a ponta dos meus dedos
enquanto você parte
a noite me revolve
e viadutos se confundem
no horizonte
(onde estou
nem teus sonhos
me adivinham)
cada passo para longe
é uma ausência fincada
nas palmas da mão
cada avenida deixada
um sopro no ouvido
de incompreensão
não deixe que eu parta
sem antes pedir
para que eu avise
quando chegar
que tão fácil entendo errado
e me dissolvo
em outros rumos
outros corpos
outros tatos
outros tatos
que não se sabe
em que momento
hei de tomar
a via errante
da bifurcação]