14/03/2016

os mesmos de antes


Um rosto cru estampado no espelho
Um corpo nu descarnado na cama
O dia amanheceu e nossas verdades
Transbordaram pelas janelas.
Toda trivialidade me cala 
As fragilidades desabam
O dia lá fora sussurra 
Que há muito não somos os mesmos.
Peles divergem, iras insurgem 
Vozes colidem num grito.

Um corpo cru estendido na mesa
Um rosto nu dissecado no chão
Boca rasgada e língua cortada
Olhos rolando sobre o colchão.
Silenciosamente os jornais anunciam:
Desde antes do início
Somos conduzidos ao fim.

Na sala, em rompante, um ruído: 
As portas estão novamente fechadas.
Quando a noite chegar, tudo será silêncio
E não muito tardará até sermos
Os mesmos de antes.