21/03/2016

(avise quando chegar)

[a noite se desfaz 
sob a ponta dos meus dedos
enquanto você parte
a noite me revolve
e viadutos se confundem
no horizonte

(onde estou
nem teus sonhos
me adivinham)

cada passo para longe 
é uma ausência fincada 
nas palmas da mão
cada avenida deixada 
um sopro no ouvido
de incompreensão

não deixe que eu parta
sem antes pedir
para que eu avise 
quando chegar
que tão fácil entendo errado
e me dissolvo
em outros rumos
outros corpos
outros tatos
que não se sabe
em que momento
hei de tomar
a via errante
da bifurcação]