As euforias se desgastam
entre os dedos: pesos de papel.
Se entre nós há decréscimo,
em mim silêncio
E já não há quem ouse ultrapassar
as fronteiras erguidas entre nós dois.
Aqui - território proibido
Firme redoma que contém as dores
Malícias e invejas que se interligam
Por nossos corpos porosos.
Resisto aos teus silêncios
Acolho-os com os dedos magros
Eu mesmo bicho silencioso
Desde o nascimento
Arisco já no ventre
Com unhas de carne mole
Me encaixo nos teus moldes
Como o ser mais primitivo.
Não te quero - declaro.
Desconcerto todas as barreiras
Bamboleio em tenras comoções
Não te quero, e já não minto
Pois de fato só existo
Quando em ti não estou contido.
Meu verso só é certo
Se não traça as linhas
De teu corpo túrgido;
E a poesia, composta de tênue matéria
Jamais será a mesma.