10/02/2015

hannibal ante portas


diga-me o nome daquele
que sei cá estar quando não o vejo
que sei-me ser quando não me tenho
que perdura para além do que se sabe

formem-lhe o rosto diante de mim 
penumbra, fumaça e espelhos:
quem é ele que me acorrenta os braços
bamboleia as pernas e amordaça a voz?

nessas ruas que ando
o sinto.
assassino espreitando no escuro.
o ouço seguindo
extensão do caminho
terceiro passo ecoando.

dê-me retrato falado:
seus nomes, suas cores, seus traços. 
descubra-o da negra cortina
que cobre seus atos.

clamo:
diga-me que há muito cá ele já não está
e o que me persegue é tremulante sombra
daquele que um dia
por aqui
nunca esteve.