08/02/2015

rascunho sobre d.


pensei ter visto teu rosto 
empoleirado na janela
ouvido tua voz sob a bossa-nova 
de 60
sentido os teus cheiros nas gavetas velhas
espreitado tua sombra através dos arabescos.
o toque acidental de um estranho na rua
me pôs a pensar que agora já faz um tempo
e que tempo feito é tal qual tempo perdido.
nas ruas avenidas janelas alamedas
vez ou outra eu ainda te caço
temendo, de coração rijo e engaiolado
te encontrar nas folhas das palmeiras
nas xícaras de café
no virar de cada esquina 
ou nos ônibus lotados.
se qualquer dia desses eu te acho
seguirei meu caminho, inviolável
e continuarei a procurar
nos riscos paredes e traços
sabendo que só nas procuras
quero te encontrar de novo.