03/02/2015

o que somos


se antes houvesse de ti subtraído
todas as palavras bonitas
atos de polidez
e farsantes monólogos
sobraria carcaça seca 
exposta ao sol
fino verme avariado 
sob corpo moreno
e delgado.

retirassem de mim 
o que tenho:
versos, papel e caneta
pele e tripas restariam
um vazio em carne viva
a pulsar
no meio do crânio.

eu sou como você:
mediocridade 
dos pés à cabeça
e por isso 
já não nos servimos
mais.

deixemos, então, de discursos
e rasos poemas.