07/09/2016

o instante interposto


desde sempre
os domingos atiçam os desejos
assentados sob minha carne
indiferentes ao vazio do estômago
ou à poeira insidiosa dos sofás

os dias santos
desde sempre em mim despertam
o desejo de escorrer
sem pejo
de jorrar inteiro
entre os olhos
sobre o peito
na garganta
de um rosto divino 
qualquer

as rezas desde sempre 
andam a dizer
que meu corpo é templo
sagrado
então a ele ofereço sacrifícios
pequenas mortes
rugidos balidos pernas braços orifícios
abrindo portas, sustentando pilares

pulsante o fôlego à meia-luz
entre a estátua de santos à luz de velas
súplicas lascivas sussurradas aos céus 
no instante interposto
entre um gozo e outro