desde sempre
os domingos atiçam os desejos
os domingos atiçam os desejos
assentados sob minha carne
indiferentes ao vazio do estômago
ou à poeira insidiosa dos sofás
os dias santos
desde sempre em mim despertam
o desejo de escorrer
sem pejo
de jorrar inteiro
entre os olhos
sobre o peito
na garganta
na garganta
de um rosto divino
qualquer
as rezas desde sempre
andam a dizer
que meu corpo é templo
sagrado
então a ele ofereço sacrifícios
pequenas mortes
rugidos balidos pernas braços orifícios
abrindo portas, sustentando pilares
pulsante o fôlego à meia-luz
entre a estátua de santos à luz de velas
súplicas lascivas sussurradas aos céus
no instante interposto
entre um gozo e outro
qualquer
as rezas desde sempre
andam a dizer
que meu corpo é templo
sagrado
então a ele ofereço sacrifícios
pequenas mortes
rugidos balidos pernas braços orifícios
abrindo portas, sustentando pilares
pulsante o fôlego à meia-luz
entre a estátua de santos à luz de velas
súplicas lascivas sussurradas aos céus
no instante interposto
entre um gozo e outro