06/01/2015

além do quê


além do quê
de mim você 
não arrancará
confissões à queima-roupa.
não, haverá de ter
suor 
haverá de ter sangue 
derramado sobre mim 
haverá de ter 
unhas dentes cabelos
tudo o mais que vem
o mais que tem
até que nada mais se baste
e nada mais se tenha
a que almejar.
digo-te mais
que ainda lutadas
as batalhas
vencidas até
talvez não seja ainda
a verdade
o ouro achado.
derradeiramente
quando aos teus atos
recompensa vir a faltar
saberá que em mim
ninguém se fia
por justas razões.
mas ajunte-se, amigo
me dê cá a mão
simpatia por arruinados
sempre tive de sobra
e há quem diga
mistificado
que isto lá tem até 
requintes de sadismo.