08/01/2015
usurpa
quero ver se te sobram sorrisos
ânsias ou desígnios
quando minha pele atritar na tua
e na rua teu rosto
esbarrar no meu.
estarei sobre pilares
perolado de marfim, quem sabe
pronto a num suspiro
usurpar-te
tudo o que há de bom.
beber no gargalo tua vivacidade
destrinchar carnes e peles
que restarem
comer teus olhos
esmagar os dentes
trucidar vontades
e a carcaça que sobrar
- se sobrar - eu visto
revolvo meu corpo nos teus resquícios
aos quatro cantos da cidade
arrasto teu cadáver
amarrado ao meu tornozelo
como honraria, um troféu talvez.
(os cheiros da morte são rastros
deixados
em cada esquina).
prometo que em ti não vai sobrar
querer algum
por nada que houver
nada que vier.
mas, amor, esse minuto logo passa
sinal abre
e mundo transpassa
toda a ira estancada
na garganta.
verdade é que continuo a caminhar
não há marfim perolado ou pilar
e nessa multidão você nem vê
que esbarrou em mim.