do que te vale vagar sozinho?
cada alameda leva ao mesmo lugar.
as palmeiras cansaram, lamentam indiferentes
o canto não se ouve
sob o ronco dos motores
e a fumaça e a pressa
e os gonzos rompidos
e janelas fechadas
e portas abertas
e todo dia eu só penso em poder parar
e todo dia eu só penso em querer voltar
e terminar e desistir e persistir e reatar
mas são tantas as pressas que me afobam
todo dia um querer ir além
saturado do sal desse mar
insipidez do vai-e-vem
e todo dia é um querer não ir
tarde demais
para cruzar muros erguidos
quebrar
feitos tratados
violar
velhos caminhos
se prostrando inamovível
sob cortinas e lençóis.
num dia habito
n'outro, hospedo.
hoje esta cidade já não me diz nada.
o amor escorre sobre a calçada:
substância-furta-cor.