16/06/2015

esta cidade já não me diz nada


do que te vale vagar sozinho?
cada alameda leva ao mesmo lugar.

as palmeiras cansaram, lamentam indiferentes
o canto não se ouve 
sob o ronco dos motores 
e a fumaça e a pressa 
e os gonzos rompidos
e janelas fechadas 
e portas abertas

e todo dia eu só penso em poder parar
e todo dia eu só penso em querer voltar
e terminar e desistir e persistir e reatar

mas são tantas as pressas que me afobam
todo dia um querer ir além
saturado do sal desse mar
insipidez do vai-e-vem

e todo dia é um querer não ir
tarde demais 
para cruzar muros erguidos
quebrar
feitos tratados
violar
velhos caminhos
se prostrando inamovível
sob cortinas e lençóis. 

num dia habito
n'outro, hospedo.

hoje esta cidade já não me diz nada.
o amor escorre sobre a calçada:
substância-furta-cor.