18/06/2015

fragmentos

1
boca-contra-boca-contra-carne
contra-dente-contra-unhas
corpo-a-corpo-um-a-um
outro-a-outro.

no centro do redemoinho

faço morada. 

2
a noite estrala n'outra ponta da rua:
não é tempo de retornos.
um cigarro após o outro e velhas doses
para distrair as feras.

qualquer lar me espera?
ando ultimamente a atinar sozinho
passo frouxo, solto por aí
talvez seja sinal de desvario -
é bom não duvidar. 

conhecidos dizem 
que sempre me vêem nos mesmos cantos
circulando sem destino algum.
não sabem é que
carrego comigo
questões ancestrais
sempre a ponderar
que não é tempo de retornos.
e retorno, por si mesmo 
penso que não exista:
tudo repetido é um tanto 
quanto
sempre 
novo.