08/06/2015

rua ante rua


tudo ultrapassa
braço ante braço
perna ante perna
maço após maço 
nada abarcado
não reatados
laços deixados
ao vácuo do vento
              
becos andados
jamais retornados 
aos nossos pés

noites perdidas
terras baldias
vagar de ninguém 

(eu ouço a cidade a julgar; condena os que um dia seremos)

rua ante rua, clamando à lua
que tudo não cesse assim
e as casas nos olham
seus olhos amuados
e os céus subjugam
não posso abraçá-los
pois tudo ultrapassa
e braço ante perna
perna após braço
maço ante perna
 braço após maço 
após perna
ante maço